24 de julho de 2016

[Resenha] A Coroa - Kiera Cass

"Em 'A herdeira', o universo de 'A Seleção' entrou numa nova era. Vinte anos se passaram desde que o príncipe Maxon encontrou sua rainha, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria Seleção. Eadlyn não acreditava que encontraria um companheiro entre os trinta e cinco pretendentes do concurso, muito menos o amor verdadeiro. Mas às vezes o coração prega peças! E agora Eadlyn precisa fazer uma escolha muito mais difícil - e importante - do que esperava."

Em "A Coroa", Eadlyn precisará assumir uma postura diferente. Também precisará ter novas atitudes. Algo grave aconteceu com sua mãe e é preciso que a princesa antecipe algumas tarefas e responsabilidades. Além disso, ela passa a enxergar A Seleção com outros olhos. O que antes era motivo de raiva passa a ser algo necessário e até mesmo desejado. Ela passa a perceber a importância de um parceiro e como isso pode ajudá-la quando se tornar rainha. A menina mimada e cheia de si começa a mudar. Sai de sua zona de conforto e aprende a colocar os interesses e necessidades do povo acima dos seus. A garota que antes não acreditava no amor agora começa a acreditar que é possível encontrá-lo – e que ele pode estar mais perto do que ela imagina.


Antes de mais nada preciso dizer que foi necessário omitir um pequeno detalhe na sinopse. Sei que algumas pessoas ainda não leram a série completa e por isso ocultei o nome da rainha. Fiz isso por que sei como spoilers são chatos para quem não gosta deles. Bom, agora sim podemos começar.

Não é segredo para ninguém que “A Seleção” se tornou uma das minhas séries favoritas. Então dá para imaginar o quanto eu esperava por essa leitura e o quanto queria saber quem seria o escolhido da Eadlyn. No início achei que a escolha seria previsível, mas não foi nada disso. Kiera Cass consegue nos surpreender e colocar uma boa dose de emoção e reviravoltas nessa história incrível.

A composição dos personagens é maravilhosa, principalmente a dos Selecionados. Cada um tem características únicas. É claro que desde “A Herdeira” eu tinha meus favoritos e meu amor e torcida por eles só aumentou. Cada um surpreende de uma maneira diferente. E, sim, tem aquele clássico rapaz pelo qual nos apaixonamos, mas acreditamos que só existe em contos de fadas. 

Mas não são só os rapazes que surpreendem. Eadlyn também. Ela agora começa a olhar para si e percebe que algumas de suas atitudes não são dignas de uma rainha. Entende o que precisa ser mudado e se esforça para que isso aconteça. Passa de menina chata e chiliquenta à uma garota corajosa e madura, que percebe que governar um país inteiro é bem mais difícil do que parece. Claro que ela continua a ter seus medos, mas decidi enfrentá-los. Mesmo com os defeitos que tinha eu já gostava dela; agora passei a gostar mais ainda.

A narrativa dessa história é um pouco diferente. Afinal, é contada por alguém da realeza e não por uma Selecionada, como nos livros anteriores. Isso não é um ponto negativo, é apenas algo diferente.

“Não, aquele processo inteiro não fazia sentido, mas eu conseguia entender como tinha acontecido, como o coração podia ser arrebatado naquela aventura. E naquele momento era esta minha esperança: que de algum jeito dever e amor se tornassem uma coisa só e eu me descobrisse feliz no meio da Seleção.”

Os principais personagens anteriores ainda estão presentes na história. Maxon revela coisas surpreendentes e podemos entender alguns fatos ocorridos nos outros livros. Ele continua sendo um excelente rei. Definitivamente, Kiera Cass arrasou nessa história. Ouso dizer que esse foi o livro mais bem escrito da série. 

Acho que para fechar com chave de ouro a autora deveria escrever um livro na visão dos Selecionados, assim como fez anteriormente. Seria interessante saber o que os garotos pensavam e esperavam.

“Amor. Eu achava que o amor era como uma roupa, incapaz de vestir duas pessoas do mesmo jeito. Ainda não sabia ao certo o que aquela palavra significava para mim, mas tinha a sensação de que chegaria a uma definição antes do que imaginava. Só restava saber se a definição me satisfaria.”